quarta-feira, 25 de março de 2009

Meu urso me ensinou sobre o tempo


Ontem, antes de dormir, estive a pensar por certos minutos. Uns quinze, talvez. A cama confortável tornou-se berço para meu corpo que, cansado, preocupou-se em tirar as roupas e os acessórios que usava. Instintivamente as mãos tiraram os brincos, então o anel e por fim o relógio.

Quando olhei para o braço, os olhos, semi-abertos, perceberam que eu já estava de pijama e as roupas estavam no cesto. Talvez, por segundos, minha mente tenha sintonizado numa outra estação e meu corpo correspondido a rotina, tomando por fazer a atividade que costuma fazer naquele horário.

Conversei com meu urso. Comentávamos sobre como o tempo passa rápido, parecia ter sido ontem que tínhamos conversado sobre namorados, amigas e festas. E estávamos nós ali, fazendo a mesma coisa.
É hora de mudar a hora e fazer as coisas fora de hora, antes que a hora tome toda nossa hora.

Uma angústia repentina surgiu e parei a conversa de imediato. Olhei pela janela e só conseguia ver um céu escuro, puro breu como se não tivesse nada a dizer.
Senti o silêncio, tudo parecia ter parado.
Fiquei segundos ali, lembrei do meu dia, flashes das coisas marcantes. Recordei os atrasos, as coisas que não consegui terminar a tempo. Lembrei do que ainda tinha a fazer.

Então voltei pra cama e disse boa noite ao urso.

Um comentário:

Aniê disse...

Aii Suh... ameei esse poema..muito lindoo...PARABÉNS!