sábado, 15 de outubro de 2016


Eu quero dizer umas palavras bem bonitas
Eu quero dizer coisas que são muito clichê
Quero dizer só
coisas que só
quem ama diz


Estou tão só
Sem ninguém
Pra dizer


Digo Só
Repito só

Consegui


Estou tão só
Sem ninguém
pra dizer
e sentir



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dieta radical


Era segunda-feira, olhou-se no espelho decidida a eliminar aqueles duzentos gramas inconvenientes. Cortou um dos dedos.

terça-feira, 6 de março de 2012

2012

Só porque eu ainda existo, pelo menos por enquanto.
Só porque a poesia ainda existe, por todo sempre!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Prioridades

Meu irmão me liga quando eu estou organizando a casa.
- Mana, vem aqui em casa. Sabia que eu vou começar a ir pra escola? Eu estou de férias dois dias ainda.
- Não dá maninho, eu tenho coisas pra fazer.
- Ah, você está trabalhando?
- Não, a mana não tá trabalhando hoje. Quer dizer, está , enfim não dá pra eu ir.
- Ah mana, vem.
- Eu tenho coisas pra fazer.
- Tá bom, então vem depois que você terminar o que tem pra fazer.
- Mas daí já vai ser tarde.
- Eu não durmo cedo, hoje é sábado, a mãe que disse.
- Mas, eu tenho muita coisa pra fazer, de verdade.
- Hummm. Vem amanhã?
- Amanhã?
- É amanhã você já acabou.
- É?!
- Eu vou esperar você lá no portão. Não demora tá?
- Mas mano...
- Sabia que o meu passarinho quase fugiu? É mana, o amarelinho é bem safado sabia, ele fica na portinha da gaiola esperando a gente abrir só pra sair voando. Mas eu não deixo, se ele voar eu não vou mais ter passarinho. Eu gosto dele, eu dou comida, água, ele come fruta também, sabia? O papai até deu banana e ele comeu tudo.
-Mano?
- Eu gosto de brincar com ele...por isso que eu pedi pro papai comprar uma gaiola bem grande.
- Ah...
- A mãe mandou eu desligar, não vai demorar muito pra chegar amanhã.
- Mano, não sei se vai dar.
-...
- Eu tenho que...
- No portão tá? Vou te esperar no portão.
- Tá bom, eu vou amanhã. Se cuida.
- Tá bom mana.
- Beijo
- ...

Quando volto pra vassoura, me arrependo de deixar as coisas pra amanhã.

sábado, 8 de janeiro de 2011

As Férias



De volta ao ar Jaraguaense, aproveito para postar um breve diário que fui escrevendo na viagem das férias.


PRIMEIRO, DIA 1


Quando saímos faltava pouco para ver o sorriso da Dilma na sua posse como primeira mulher Presidente(a) eleita do Brasil. O carro já estava carregado, não tínhamos lugar para ficar, apenas uma barraca e colchonetes para acalentar o sono. E, ao som de Dexler, partimos em direção a Angelina. No caminho, ainda em São João Batista, uma placa anunciando uma cachoeira.

Segundos entre sim e não até que o espírito aventureiro respondeu e partimos numa estrada de barro, com o pó melecando os cabelos e a ansiedade tomando conta de preencher o silêncio.
A surpresa veio pouco depois, uma cachoeira há poucos quilômetros da estada principal anunciando o verão. Turistas exibindo suas manobras nas águas doces e geladas da Cachoeira Fernandes.
E Angelina só chegou depois que passamos por debaixo da árvore mãe, aquela que se deixa exibir oferecendo passagem por debaixo de suas ancas barbudas. E depois da Represa Garcia, uma multidão de águas aprisionadas.
Já em Angelina, o primeiro lugar a receber nossos pés foi a Gruta do Santuário de Angelina, lugar tranqüilo de subida lenta e minuciosa que culmina com a pequena cachoeira que enfeita o antro das graças alcançadas.
E Angelina não se deixou despedir, não antes de passarmos por uma cachoeira de beira de estrada, assim à mostra, sem precisar de escaladas, longas estradas, nada. Uma surpresa gratuita antes de seguir viagem.
Até então confortados, era chegada a hora de por as mãos na massa, de procurar lugar pra estacionar nossos olhos. E por uma estrada esburacada, que parecia infinita, aventuramo-nos a encontrar local para passar a noite. Depois de muito dirigir, aparece uma casa para pedir informação e um local para dormir logo à frente.
O sol demorou a ir dormir, nos presenteando com um céu claro até mais tarde, depois foi a fogueira e os vaga lumes que iluminaram o lar e nos acompanharam no jogo do UNO. Pouco antes, jantar de lingüiça na brasa e risadas em volta da fogueira. Dormimos ao som de sapos, grilos e bichos ainda não decifrados.

Dia 2
Almoço digno no Hotel das Freiras em Angelina, Blumengarten Haus, de lá partimos rumo a Rancho Queimado, já preocupados com o local para dormir e para o banho. O palácio do nosso soninho foi sugerido por dois senhores que encontramos na estrada, e para lá partimos: Morro da Boa Vista.
O local tem nome adequado, a vista é até mesmo mais que boa, é bela, é encantadora. O verde desliza por uma imensidão de vales. Foi nesta noite que a chuva nos visitou, e os casacos e calças intocados nos fundos das mochilas ganharam uso. Às vezes, a barraca quase cedia aos encantos do vento, mas manteve-se firme.
A chuva resultou em um jantar de bolachas e bolos, nada de fogueira e comidinha quente. Apenas uma noite gelada ao som de todos os tipos de sapos e pererecas existentes. A fogueira armada ficou para os próximos visitantes.

Dia 3
Seguimos para Alfredo Wagner, onde as hortências, de mãos dadas, beijam a estrada por onde se passa. O verde que salta de ambos os lados faz esquecer prédios, máquinas, fumaça, barulho. Demos passos largos com os olhos e não nos cansamos.
Na churrascaria Boeing, o merecido almoço e, mais ainda, a conquista da manhã: o merecido banho, afinal nem insetos nos desejariam por perto. Chuveiro de beira de estrada, mas amém.
Havíamos nos programado para ver o Museu de Arqueologia, mas ao chegar lá, demos com o nariz na porta, a sorte foi encontrar uma placa que indicava cachoeira por perto e seguimos com uma pedida de informação aqui e outra ali, até chegarmos ao local mais encantador da viagem até o momento: a vila onde vive o seu Dilo e seus familiares.
Antes de nos apaixonar por aquele vilarejo, visitamos a cachoeira. Um privilégio, pois parece ser um lugar secreto do tipo que só aqueles que estão munidos de certa divindade podem ver. E vimos, ficamos extasiados, estáticos. Paramos em cada curva para tocar naquelas águas, as pequenas nascentes nos recarregando, abençoando.
Talvez, só depois que a agitação de montar barraca, de pensar no jantar, de espantar bichos, é que realmente tenhamos nos deparado com a beleza daquele lugar. A simplicidade, as pequenas histórias das vacas, dos porquinhos, dos patinhos.
Passamos o dia fazendo pactos com o verde, com a magia do ar, com os pica paus e os outros milhões de passarinhos que pareciam cantar especialmente para nós.
A noite chegou gorda, um jantar farto com os tomates usurpados de uma plantação de Angelina, com os ovos gentilmente doados pela esposa do seu Dilo e com os Cup Noodles que, a esta altura, já imploravam para serem saciados.

Dia 4
Dia longo, sem almoço, dia da bunda achatada e das mil paradas. Urubici nos seduzindo, primeiro com as imagens nas pedras, que tivemos de conferir e tentar traduzir. Pela estrada, os pés de maçã nos fazendo voltar a ser crianças. Depois veio o Mirante, parada para fotos. Seguindo, encontramos uns malucos de bicicleta que estavam, como nós, procurando onde enfiar os olhos, e achamos, a Cascata do Avencal, os três reais mais bem pagos de Urubici.
Depois de tanto admirar as águas era chegada a hora de molhar os pés e o fizemos na cascata que fica na Churrascaria da Cascata, as fotos foram muitas, nos perdemos em meio as águas.
O destino escolhido era o Mirante da Serra do Rio do Rastro, mas ficou só na vontade, a neblina tapou nossos anseios e admiramos apenas o branco. Na descida da Serra pudemos conferir as montanhas gigantescas e paramos apenas por conta de um susto: barulhinho e cheiro estranhos, malditos que nos trouxeram insegurança por um tempo. Em Lauro Muller descobrimos que não era nada grave.
Sem destino definido depois da serra, seguimos para Orleans onde conferimos o Paredão. As palavras para definir são poucas, o paredão é pouco. Esperávamos mais, o trabalho feito nas pedras é glorioso, mas nos deixou com gostinho de querer mais.
De lá seguimos para Laguna. O trânsito lotado, mas valeu a pena, encontramos um camping bacana, um lugar descente para nosso merecido banho. As barracas foram montadas num instante e seguimos para ver as pedras, na Praia da Gi, e valeu todo e qualquer obstáculo, inclusive as rosetas bandidas perfurando nossos pés no meio do caminho. Chegamos enfim a Pedra do Frade. A natureza é sedutora, mas complexa.
Antes de voltarmos para o camping, demos uma breve parada na Bica da Carioca para angariar água e refrescar nossa sede. Depois disso, nos banhamos demoradamente no chuveiro do camping. O almoço jantar que aconteceu logo depois valeu a pena, comidinha caseira com direito a peixe e camarão.

ÚLTIMO DIA, Dia 5
O sol mal se havia nascido no horizonte e já estávamos de pé, pegamos a balsa e fomos conferir o Farol de Santa Marta. A subida rendeu suor, mas o vento lá de cima secou nossos rostos facilmente e respiramos o ar que o mar mandou de presente.
Por fim, antes de pegar a balsa novamente, conferimos a Praia da Tereza, verdadeiro recanto, praia pequenina com sabor de verão em família.
Nossa primeira investida por Santa Catarina foi uma verdadeira salada com direito a cebola, tomate, abóbora, repolho, pepino, batata doce, milho e alface, sem contar na sobremesa de salada de frutas: morango, pêra, banana, limão, laranja, uva e maçã.
Vimos vales, montanhas, pedras, areia, barro, praias. Cidades pequenas, cidades turísticas. Uma variedade incontável de vegetação, árvores de todos os tamanhos e tipos.
Não faltou nem mesmo a trilha sonora, coruja, gavião, pica pau, sabiá, João de barro, canário, gaivota, anu, chupim, sapos, pererecas, bois, vacas, grilos, patos intercalados pelos bons e velhos Beatles.
Na volta, uma parada para o almoço em Itapirubá. Seguindo por Imbituba na praia da Vila, e demos uma parada breve em Tijucas para abastecer.
Voltamos cansados , mas não o suficiente para deixar de contar os fuscas, kombis e brasílias que encontramos no caminho.
Quase ao terminar de escrever estas linhas, olhei pela janela pensando em como terminar este diário de bordo e vi o Supermercado Archer. Já estamos em Brusque, linha end da nossa trajetória por Santa Catarina.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

De volta ao #MemedasAntigas

Sem internet por uns dias e muitíssimo ocupada, retomo o #MemedasAntigas, com gosto, fazendo um breve comentário sobre todos os itens que deixei de postar.

Dia 18/12 Em 2010 eu tive inveja de... meu professor de Flauta Transversal, por seu domínio com o instrumento e pela destreza com que explica e me incentiva a estudar.

Dia 19/12 Em 2010 eu quase... tive um faniquito quando soube do candidato elegido para o Governo do Estado.

Dia 20/12 Em 2010 eu descobri que ... gosto de colocar umas pimentas, uns chocolates, umas transas, uns chicotes, uns chantilis, uns temperos fortes na minha escrita.

Dia 21/12 Em 2010 eu quis matar... quem me roubou o sossego e depois me fez chorar de gozo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em 2010 eu consegui...

me desligar de tarefas desagradáveis que eu fazia por obrigação ou necessidade financeira. Li muito mais, vi mais filmes, fiz mais pesquisas, aprendi com coisas muito menores!

Em 2010 eu tentei

não acumular dívidas (e consegui)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Em 2010 eu pensei em fugir para...

o universo encantado do meu irmão mais novo.

viver de vento, comendo algodão doce de nuvem, tomando suco de chuva

criar objetos voadores, fazer bico e dois segundos depois sair correndo pelo corredor da alegria

escorregar em folhas, pintar a bunda de barro, fingir sustos e morrer de rir!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Em 2010 eu pela primeira vez

... passei no Edital Municipal de Apoio a Cultura
... fiquei sem carro
... não pintei os cabelos
... mudeu meu status para casada
... me apresentei no SESC

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu melhor dia em 2010

Lançamento do meu primeiro livro "Tonalidades" juntamente com o primeiro livro da Adrin "Códigos e barras de ser", na Feira do Livro.
Minhas descobertas misturadas à alegria dela não têm preço.

Meu pior dia em 2010

Ok.
Estou pensando ainda como falar de algo ruim sem me focar em algum sentimentalismo absurdo.
Tento, mas não consigo fugir de respostas que não me lembrem sensações ingratas, choros tolos e palavras de papel.
Ok
Não quero dividir sofrimento com ninguém, talvez se eu tivesse ficado doente, fosse mais fácil falar de um dia ruim, ou se eu tivesse perdido o emprego que eu precisava muito, também indicaria falar de coisas ruins, fáceis de se comentar.
Mas não, todos os meus piores dias sempre tem relação com alguma historinha de relacionamento feito de pó ou alguma amizade descartável. Coisas que sempre deixam-me magoada.
Acho que estou começando a dividir dores.
Ok
Vai ver que os piores dias são esses, de ter de falar sobre coisas que você passou pro lado dos emocionais. Eu sou meio durona mesmo. Não vou escrever linhas melecadas de lágrimas. Nem ficar desabafando do tipo: preciso de conselhos , please.
Ok.
O pior dia é hoje, reconhecer tristezas, escrever linhas malditas sobre si mesmo, chorar enquanto escreve, simplesmente por lembrar.
Estou me sentindo uma depressiva barata.
Já foi o suficiente.
Ok.